quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Artista de Blues Britanico


John Mayall
Dos três, o mais famoso, e portanto o que mais influenciou diretamente um público maior foi John Mayall, que durante toda a década de 60 encantou a Europa e os Estados Unidos com sua qualidade de blues. Quando Eric Clapton entrou para sua banda, “The Bluesbreakers”, em 1965, sua popularidade explodiu na Inglaterra e Europa. Quando Mick Taylor se juntou à banda em 1967, Mayall e seus Bluesbreakers passaram a cavar um mercado nos Estados Unidos.

Durante a década de 70 em diante, John Mayall passou a viver mais da própria fama, seus discos perdendo a aura de inovadores. Mas o mercado, assim como o mundo, já havia mudado. O blues já não era mais um mistério a ser conferido. O blues se tornara finalmente .

"mainstream".

Então você deve estar pensando, qual a dúvida? Se John Mayall e sua banda foram os que fizeram toda uma geração conhecer e amar o blues, então é ele o pai do blues branco inglês! Não é? Contudo, para Mayall criar o seu Bluesbreakers, ele procurou se espelhar na banda Blues Incorporated, de Alexis Korner.

Alexis Korner

Alexis Korner passou a tocar o blues em uma época em que ninguém se interessava pelo gênero. Música negra americana para o inglês era o jazz. Até mesmo na América o blues era mal visto entre a maioria branca, ainda legalmente segregada. Korner, com a ajuda de outro inglês, Cyril Davies, montou uma banda que perduraria até meados da década de 60, a Blues Incorporated, e com ela despertou uma legião de músicos para o potencial do blues. Entre estes músicos novos a assistirem Alexis Korner e ser influenciado diretamente por sua música, está o próprio John Mayall. Se não fosse Korner conversar e convencê-lo que indo a Londres ele poderia viver de música, é possível que John Mayall passasse a vida trabalhando em uma agência de publicidade em Manchester, dando aulas de música para ajudar no orçamento e tocando só nos fins de semana, como ele vinha fazendo.

Percebem então agora que há razão para o tamanho respeito empregado a estes dois músicos? Se perguntar para John Mayall quem é o pai do blues branco inglês, ele é capaz de dizer “Alexis Korner”. Ao fazer a mesma pergunta a Korner, ele nomearia Chris Barber.

The Chris Barber Tradicional Dixieland Jazz Band não é exatamente o primeiro lugar que se pensaria para procurar blues. Difícil acreditar que tal banda poderia ser cogitada como um precursor deste gênero. Todavia, na década de 50, Barber, ao visitar Chicago, voltou bastante interessado nele. Passou a contratar artistas negros para cantar entre sets de sua banda de jazz. Barber diria claramente que queria mesmo ampliar o conhecimento de seu público quanto à diversidade da música negra. Com isto, muito garoto que foi para seu show assistir Dixieland jazz acabou conhecendo gente como Muddy Waters e Sonny Boy Williamson - o segundo.

Estes cantores eram acompanhados por uma formação diminuta da Jazz Band, que inevitavelmente contava com cinco músicos, três dos quais seriam diretamente responsáveis pela horda de músicos de blues e rock que viria a nascer até o final da década. São eles Alexis Korner, Cyril Davies e Lonnie Donnegan. Lançam um disco de jazz que inclui quatro faixas de um gênero criado por Donnegan, chamado “skiffle”. Em dois anos, haveria cerca de cinco mil bandas de skiffle espalhadas pela Inglaterra. Cada criança do país passou a querer se envolver com música de uma forma ou de outra. Foi o skiffle que fez garotos como John Lennon ou Roger Daltry a quererem levar um som, evoluindo naturalmente os interesses para rock 'n' roll. Donnegan seguiria uma rentável carreira solo pouco depois.

A onda de skiffle abriu mercado para todo o mundo e Alexis Korner e Cyril Davies acabariam montando uma para ajudar no orçamento. Trabalhando bem como um duo, e ambos tendo grande amor pelo blues, acabariam em 1959 montando um grupo que viria a ser batizado depois de The Blues Incorporated.

Então, de fato, Chris Barber plantou a grande semente, mostrando que havia um mercado para o gênero dentro da Inglaterra. O que difere ele dos demais é que Barber permaneceu na sua especialidade, o jazz. Mas Korner e Cyril abriram mão do certo e investiram no duvidoso. Os primeiros shows da banda mal conseguiam trazer público para competir em número com a quantidade de músicos tocando no palco. Ao entrarem no ano de 1962, já havia público vindo até da Escócia para assistir ao Blues Incorporated. Músicos da banda acabavam saindo para formar suas próprias bandas e sendo substituídos por outros, igualmente ansiosos por aprender com o mestre. Por volta de 65 já havia tantas bandas de blues na Inglaterra que começava a ficar mais difícil renovar valores como antes. Até mesmo porque John Mayall e seus Bluesbreakers também se tornara um pólo para atrair talentos.

Neste quesito, o de nomear os participantes de cada banda, a lista é extensa e aparentemente sem fim. Por isto vamos nos prender basicamente à década de 60 e às bandas Blues Incorporated e Bluesbreakers.

Na Blues Incorporated esteve primeiro o talento de Cyril Davies, que iria montar o Cyril Davies & The All Stars, banda muito popular em Londres, mas que acabaria em '64 com a morte de Cyril, que sofria de leucemia. Se ele tivesse vivido a tempo de gravar mais material, talvez ele também estivesse apto a galgar o título de pai do blues branco inglês.

Geoff Bradford, um guitarrista purista de blues, que também esteve na formação embrionária dos Rolling Stones, formando depois a banda Blues By Six, cuja vida foi encurtada, uma vez que seu baterista Charlie Watts a deixou para se juntar aos Rolling Stones.

Long John Baldry, um dos primeiros cantores de blues na Inglaterra. Sua pouca fama não faz justiça à sua farta carreira. Baldry, embora não sendo o vocalista mais carismático do Reino Unido, conseguiu a difícil dádiva de ser amigo de todo mundo no meio. Teve também a sorte e o instinto de reconhecer talento instintivamente, quando o via. Foi Baldry quem, em '64, descobriria Rod Stewart dormindo em uma estação de trem e convidá-lo a cantar em sua banda. Seria ele também um dos maiores incentivadores para o talento de Elton John, cujo "John" de seu nome artístico é uma homenagem ao próprio John Baldry.

Charlie Watts, Brian Jones e Mick Jagger são três que se conheceram dentro dos Blues Incorporated. Charlie era o baterista da banda, Brian tinha um set com Paul Jones e Mick cantava três canções com o grupo. Brian formaria os Rolling Stones tentando trazer Paul Jones para os vocais. Este recusou e Mick Jagger acabaria entrando para o lugar. Charlie Watts tocaria com Bradford no Blues By Six, seguindo depois para os Stones, que começariam a ficar famosos.

Paul Jones, depois de perder a chance de cantar para os Rolling Stones, iria seguir carreira cantando para o Manfred Mann.

Dick Heckstall-Smith é um saxofonista de primeira linha. Depois de tocar com os Blues Incorporated passou para o Cyril Davies & The All Stars, que depois se tornaria Long John Baldry & the Hoochie Coochie Men. Smith iria então tocar para o Graham Bond Organization, seguindo depois para os Bluesbreakers de John Mayall.

Jack Bruce e Ginger Baker são dois músicos que vieram a se conhecer no Blues Incorporated. Ginger Baker foi o baterista que veio a substituir Charlie Watts no final de 1962. Seguiria com Jack Bruce e Dick Heckstall-Smith para o Graham Bond Organization no ano seguinte. A dupla ficaria mundialmente famosa ao formar o Cream em 1966.

Graham Bond é um talentoso tecladista, muito respeitado, que em 1963 formaria a Graham Bond Organization, banda que teria certo apelo comercial na Inglaterra. A formação inclui, além de Graham Bond, John McLaughlin, Jack Bruce, Dick Heckstall-Smith e Ginger Baker.

Art Wood, cantor que substitui Baldry no Blues Incorporated formaria depois a banda Artwoods, outra banda com certo status cult na Inglaterra em meados de ‘60. Entre seus membros estão Keef Hartley e Jon Lord.

Agora vejamos os Bluesbreakers de John Mayall. Notem que, diferente de Alexis Korner, tido como boa praça e de papo fácil, John Mayall é tido como uma pessoa bem mais exigente e de temperamento mais explosivo. Suas regras dentro da banda são impostas e inflexíveis. Assim, há um rodízio consideravelmente maior na formação de sua banda. The Bluesbreakers é seguramente uma das bandas que mais tiveram formações diferentes entre todas as bandas existentes.

Em sua primeira encarnação, teve como baterista o Hugie Flint, que, ao deixar a banda, tocaria com Alexis Korner, quando este já não usava mais o nome de Blues Incorporated. Depois tocou por pequenos períodos em bandas como Chicken Shack, Savoy Brown, Georgie Flame & the Blue Flames e Manfred Mann, antes de formar sua própria banda McGuinness Flint com Tom McGuinness no final de 1969.

Ricky Brown, que já tinha uma carreira como baixista dos Savages, se juntou à primeira formação dos Bluesbreakers quando os Savages acabaram. Ele ficaria por pouco tempo, indo se juntar ao Cyril Davies & The All Stars com Carlo Little e Bernie Watson.

John McVie seria o baixista que mais tempo iria ficar nos Bluesbreakers, embora Mayall o fosse despedir pelo menos três vezes, desistindo na última hora ou recontratando depois. Eles se desentendiam em relação a uma das rígidas regras impostas por Mayall, a de não poder se intoxicar. McVie tinha o hábito de beber muito, o que resultava invariavelmente em sua dispensa. Mas de uma forma ou de outra, McVie conseguiu continuar até 1967, e é o músico com maior durabilidade na história da banda. Deixou o grupo para se juntar ao Fleetwood Mac.

Davey Graham seguira uma carreira tocando folk-blues, esticando o gênero para horizontes sem precedentes. Experimentaria misturando folk e blues com elementos como raga indiano, instrumentações do oriente médio, e jazz, sendo respeitado com um inovador.

Bernie Watson, outro ex-Savage que, depois de tocar com Cyril Davies & The All Stars, passa um ano nos Bluesbreakers. Depois se tornaria um violonista clássico muito respeitado. Após Bernie deixar os Bluesbreakers, Mayall passaria um pequeno período com uma maior rotatividade de guitarristas. Isto mudaria quando Eric Clapton deixou os Yardbirds.

Eric Clapton, que deixaria os Yardbirds assim que eles ficaram populares, ainda era largamente desconhecido na Inglaterra. Com seu trabalho com os Bluesbreakers, gravou o terceiro álbum da banda. Este disco, junto com algumas excursões pela Europa, colocaria John Mayall & The Bluesbreakers no seu apogeu, como também conferiria ao blues inglês o status de legitimidade. Eric Clapton também passaria a ser um nome mais conhecido em seu país, sendo a ele conferido o título popular de Deus da guitarra. Ao sair no verão de 1966, ele passa um tempo estudando seu instrumento antes de formar o Cream com Bruce e Baker.

Jack Bruce, já respeitado como um exímio baixista, depois de deixar o Graham Bond Organization entrou no Bluesbreakers em agosto de ‘65, substituindo John McVie, mandado embora novamente por aparecer bêbado. Bruce entrou durante o período em que os Bluesbreakers voltaram a ficar sem guitarrista fixo, uma vez que Clapton sumiu, indo passar o verão na Grécia com amigos. Tocou com Mayall por seis semanas, tempo suficiente para Clapton voltar e os dois se conhecerem musicalmente. Bruce seguiria depois para tocar com Manfred Mann antes de formar o Cream. John McVie seria convidado a voltar aos Bluesbreakers.

Peter Green seria o substituto de Eric Clapton em 1966, sendo o segundo de três guitarristas fora de série que os Bluesbreakers teriam na década de 60. Com um estilo inteiramente diferente de Clapton, Green conseguiu se ajeitar bem na lacuna deixada pelo seu antecessor. Formaria depois o Fleetwood Mac mantendo a fama de guitarrista excepcional até ficar doente, passando boa parte das décadas de 70 e 80 fora do circuito.

Ansley Dunbar seria em 1966 o baterista que substituiria Hughie Flint. Ficaria apenas seis meses, antes de ser substituído por Mickey Waller enquanto não encontravam alguém que ficasse permanentemente. Dunbar iria se juntar ao Jeff Beck Group e depois aos Mothers of Invention, de Frank Zappa. Sua carreira o levará a ser um dos mais prestigiados bateristas de estúdio da década de 70.

Mick Fleetwood seria outro baterista a ficar por pouco tempo na banda, um mês mais ou menos, quando foi expulso por bebedeira. Seria o tempo apenas de gravar três canções, entre elas um tema de co-autoria dele e John McVie que permaneceria inédito, chamado "Fleetwood Mac". Ao deixar a banda, Fleetwood levou com ele Peter Green, com McVie se juntando a eles três meses depois. Acabaram por formar a banda Peter Green's Fleetwood Mac.

Mick Taylor seria então o terceiro guitarrista do triunvirato fora de série dos Bluesbreakers. Com Taylor, Mayall consegue finalmente entrar no mercado americano. Como Clapton antes dele, é nos Bluesbreakers que Mick Taylor ficaria conhecido em seu país. Em 1969 Mick Taylor deixaria Mayall, se juntando aos Rolling Stones, que buscava nele um substituto para Brian Jones. Ele então passa a ter fama mundial.

Dick Heckstall-Smith, Jon Hisman e Tony Reeves entram na banda em um período que Mayall experimentava com uma formação mais jazzista. Ficariam por quase um ano, antes de juntos, deixarem os Bluesbreakers em setembro de 1968, para formarem a banda Colosseum. Smith passa a ser um prestigioso músico de estúdio durante a década de setenta. Reeves seguiria para formar Greenslade enquanto Hisman formaria Colosseum II.

Colin Allen e Steve Thompson, respectivamente bateria e baixo, tocariam juntos em uma das últimas formações dos Bluesbreakers, pouco antes de John Mayall abandonar o nome. Eles seguiriam para tocar no Stone Crow.

John Mayall

John Mayall, assim como Alexis Korner, continuaria a gravar durante as décadas de 70 e 80, Korner vindo a falecer em 1984. John Mayall continua vivo, gravando e ocasionalmente tocando pelo mundo afora. Cada vez com um grupo diferente de músicos, todos excelentes.

Blues Britânico - The Rolling Stones


The Rolling Stones é uma banda de rock inglesa formada em 25 de maio de 1962, e é uma das bandas mais antigas ainda em atividade. Ao lado dos Beatles, foram considerados a banda mais importante da chamada Invasão Britânica ocorrida nos anos 1960, que adicionou diversos artistas ingleses nas paradas norte-americanas e que decisivamente influenciaram na música pop e nos costumes.

Formado por Brian Jones, Keith Richards, Mick Jagger, Bill Wyman e Charlie Watts, o grupo calcava sua sonoridade no blues. Em mais de quarenta anos de carreira, sucessos como "Wild Horses", "(I Can't Get No) Satisfaction", "Start Me Up", "Sympathy For The Devil", "Jumping Jack Flash", "Miss You" e "Angie" fizeram dos Stones uma das mais conhecidas bandas do rock mundial, levando-a a enfrentar todos os grandes clichês do gênero, desde recepções efusivas da crítica até problemas com drogas e conflito de egos, principalmente entre Jagger e Richards. Os Rolling Stones já venderam mais de 200 milhões de álbuns no mundo inteiro em sua carreira.


http://www.youtube.com/watch?v=MyM-j_49nk0

Mariana Kairalla nº 19 - 3º A

terça-feira, 8 de novembro de 2011



Higor Vicente nº12 3ºA


Pink Anderson

Pink Anderson (12 de Fevereiro de 1900 - 12 de Outubro de 1974) foi um cantor e guitarristade blues, nascido em 12 de Fevereiro de 1900 em Lawrence, Carolina do Sul. Em 1914juntou-se a Dr. Kerr da “Indian Remedy Company” para entreteter as multidões (cantando, dancando e contando anedotas) enquanto Kerr tentava vender uma mistura com qualidades medicinais.

Em 1916, Anderson conhece Simmie Dooley em Spartanburg, com quem aprendeu a cantar o “blues”. Quando Anderson não viajava com Dr. Kerr, ele e Dooley tocavam em pequenos ajuntamentos em Spartanburg e arredores.

Após o afastamento de Dr. Kerr em 1945, Anderson ficou-se por Spartanburg afinando o seu talento musical com a guitarra e harmónica. Problemas de coração forçaram Anderson a retirar-se em 1957.

Anderson gravou algumas músicas nos anos 60 e entrou em 1963 no filme The Bluesmen.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

artista de blues

nome:luan cardoso n°16 3°A





o Blues



O Blues!!!
Pra mim blues, é sinônimo de guitarra...
Todo bom guitarrista, tem a obrigação de tocar bem o blues... Vejo guitarristas virtuosos como Eric Johnson, Reb Beach e muitos outros aí, q detonam no blues, não pela técnica, e sim, pelo respeito ao estilo, e às suas características sonoras...
O mestre B.B King já dizia: "O Blues é como a comida sulista: você só tem 3 acordes, então vc tem q ser um cozinheiro muito bom pra misturar os poucos ingredientes na medida certa".
Concordo plenamente com ele...
Longe de mim, me autointitular "Bluesman", acho que o cara tem que ter muito peito pra isso, mas uma coisa é certa, como eu gosto de tocar esse estilo...
Sentir o som de uma boa guitarra plugada na cara de um amp valvulado, não tem valor... Uma das melhores sensções do mundo...
Segue agora um pouco da história do Blues:

O Blues

As origens

O blues tem sua origem na África, onde a tradição é passada de pai para filho. Nos EUA o Blues sempre esteve profundamente ligado à cultura afro-americana, especialmente aquela oriunda do sul dos Estados Unidos (Alabama, Mississipi, Louisiana eGeórgia), dos escravos das plantações de algodão que usavam o canto, posteriormente definido como "blues", para embalar suas intermináveis e sofridas jornadas de trabalho. São evidentes tanto em seu ritmo, sensual e vigoroso, quanto na simplicidade de suas poesias que basicamente tratavam de aspectos populares típicos como religião, amor, sexo, traição e trabalho. Com os escravos levados para a América do Norte no início do século XIX, a música africana se moldou no ambiente frio e doloroso da vida nas plantações de algodão. Porém o conceito de "blues" só se tornou conhecido após o término da Guerra Civilquando sua essência passou a ser como um meio de descrever o estado de espírito da população afro-americana. Era um modo mais pessoal e melancólico de expressar seus sofrimentos, angústias e tristezas. A cena, que acabou por tornar-se típica nas plantações do delta do Mississippi, era a legião de negros, trabalhando de forma desgastante, sobre o embalo dos cantos, os "blues".

[editar]As raízes no delta

Há várias versões sobre aquela que é a primeira composição típica de blues, assim como seu primeiro idealizador. Diz a lenda que o autoproclamado "Pai do Blues" W. C. Handy ouviu este tipo de música pela primeira vez em 1903, quando viajava clandestinamente em um vagão de trem e observava um homem que tocava violão com um canivete.[carece de fontes] Daí teria surgido aquele que é dito como o primeiro blues da história, St. Louis Blues. Porém o mais correto a afirmar é que o blues surgiu de uma forma mais ambiental e progressiva do que uma única canção. De fato, a instrumentalização das work songs(canções de trabalho) foi o marco inicial para o surgimento do blues como estilo de música.

O primeiro nome popular a surgir como músico específico de blues foi o de Charley Patton, em meados da década de 20. Posteriormente, na mesma época, surgiram nomes como de Son House, Willie Brown, Leroy Carr, Bo Carter, Sylvester Weaver,Blind Willie Johnson, Tommy Johnson entre outros. A princípio, a maioria das canções interpretadas eram cantos tradicionais como Catfish Blues e John The Revelator, canções essas que tiveram vários intérpretes e versões variadas no decorrer da história. Porém, foi na década de 30 que surgiu aquele que é talvez o nome mais influente e idolatrado do blues: Robert Johnson. Influenciado sobretudo por Son House e Willie Brown, Johnson viveu pouco tempo, cerca de 27 anos, sendo que a sua data de nascimento não é totalmente precisa. Vitimado, segundo a lenda, por um whisky envenenado pelo marido de uma de suas amantes.[carece de fontes]Gravou 29 canções apenas, entre 1936 e 1937, porém consideradas alguns dos maiores clássicos de blues de todos os tempos.

No final dos anos 30 e inícios dos 40 surgiram as primeiras grandes bandas de blues, de Sonny Boy Williamson e Big Bill Broonzy. E a partir de 1942 o blues sofre sua primeira grande "revolução" interna com o soar das primeiras notas eletrificadas do lendário guitarrista T-Bone Walker. Certamente é deste nome que remonta as origens do formato consagrado do blues moderno, baseado na repetição 12 compassos da melodia base e com o solo totalmente livre do acompanhamento, (ou seja, o puro improviso) o que não ocorria até então já que o solista era na maioria dos casos também o responsável pelo parte rítmica instrumental. O que certamente tornou possível a T-Bone Walker ser o precursor do estilo clássico moderno do blues foram suas raízes no Jazz, que posteriormente imortalizariam a marca de seu Blues. Com a explosão do blues em Chicago e o advento daeletricidade na música, o blues atingiu um patamar novo, deixando de ser restrito a um pequeno grupo, para se tornar cultura popular no sul dos Estados Unidos.

[editar]O blues de Chicago

B.B. King

Em meados dos anos 40, começa um período intenso de migração do delta do Mississippi paraChicago, que já ocorria há alguns anos, porém de forma mais escassa. A população negra do sul dos Estados Unidos, procurando fugir da repressão e das condições precárias de vida que lá encontravam, viram em Chicago um lugar para novas oportunidades. Os músicos de Blues que, por essa época, chegavam em grande número a Chicago, encontraram a eletricidade na música, o que possibilitou uma gama enorme de novas possibilidades e os permitiu alçarem vôos mais altos com sua música. Talvez o grande nome dessa nova fase tenha sido o de Muddy Waters, o primeiro a eletrificar todos os instrumentos de sua banda. Com seu blues carregado, poderoso e intenso, Muddy Waters é talvez, junto com Robert Johnson, a figura mais influente e popular do blues americano, sendo o primeiro bluesman a ter seu nome reconhecido fora dos Estados Unidos, sobretudo naInglaterra, onde influenciaria posteriormente o surgimento de diversas bandas importantes como The Beatles, Yardbirds e The Rolling Stones. Essa última inclusive teve seu nome baseado em uma música de Muddy Waters, Rollin' Stone. Waters compôs e/ou interpretou inúmeros clássicos máximos do blues comoBaby Please Don't Go, I Can't Be Satisfied, Honey Bee e Hoochie Coochie Man, entre muitas outras. Sua importância no desenvolvimento do blues como gênero dominante no cenário mundial é tão grande que é necessário um capítulo à parte para descrever toda a sua obra.

Outro grandioso nome do blues surgido nesse período foi o deWillie Dixon. Um dos poucos baixistas líder de banda do Blues, Dixon é considerado o "poeta do blues", já que suas letras se tornaram hinos da cultura bluesística. Sem dúvida é o mais importante compositor da segunda geração do blues. É dele a composição de um dos maiores clássicos, Hoochie Coochie Man, que se tornou famosa na versão de Muddy Waters. Entre outros clássicos estão You Shock Me, I Can't Quit You Baby, Little Red Hooster (composição em parceria com Howlin' Wolf), Spoonful eBack Door Man .

Não menos importante foi o nome de Howlin' Wolf. Guitarrista e gaitista de origem, ficou famoso por sua voz rouca e de um blues bastante swingado. Definiu um estilo impossível de não ser reconhecido, que influenciaria de forma marcante posteriormente músicos como Eric Clapton, Jeff Beck eStevie Ray Vaughan. Suas parcerias com Willie Dixon renderam verdadeiras obras primas, além de composições conjuntas. Destaques para The Little Red Rooster e Howlin' For My Baby.

A guitarra elétrica se tornou unanimidade absoluta no blues, nesse período, porém nenhum outro nome consagrou tanto a guitarra solo como elemento central do blues quanto B.B. King. Influenciado diretamente por T-Bone Walker, outro virtuose da guitarra solo, B.B. King criou um estilo único e quase inigualável de frasear o instrumento, de forma pura e melódica como poucos conseguem. O seu vibrato tornou-se marca registrada, dando aos solos de guitarra uma forma quase verbal. Sem falar de seu vocal-tenor que muitas vezes se destacava mais que o próprio instrumento. Influenciando praticamente todos os guitarristas que vieram posteriormente, é classificado, merecidamente, como o "rei do blues". De fato, blues e B.B. King hoje são termos quase inseparáveis.

Inevitável não citar a figura de John Lee Hooker, que se identificaria posteriormente pelo seu Booggie, e seu estilo falado de cantar, que se tornaria sua marca registrada. Porém sua importância no blues vai muito mais além do que apenas uma vertente adjunta. Além de ter sido um dos primeiros a eletrificar a guitarra no blues, John Lee Hooker foi o percursor do Blues de Chicago, antes mesmo de Muddy Waters ganhar renome e importância, e suas obras foram de total referência na estilo Rock que estava nascendo.

[editar]Os anos 60 e o blues britânico

Um dos momentos mais marcantes do blues foi a apresentação de Muddy Waters em Londres no início dos anos 50. Foi um marco, pois dali em diante o blues ganharia renome internacional e influenciaria o surgimento de novas vertentes musicais, especialmente o rock n' roll. Logicamente Chuck Berryé indiscutível como iniciador do modelo rock, porém sua origem é absoluta no blues, ainda mais na música de Waters[2]. Mas foi o reconhecimento do blues na Inglaterra nos anos 50 que alavancaria o nascimento de uma revolução na história da música ocidental. E foi da fusão do blues, com essa nova vertente, o rock, que nasceria o gênero que marcaria em essência toda a nova geração de músicos que surgia no cenário mundial. Era o blues-rock[3]. Bandas como Rolling Stones,Yardbirds e mais posteriormente Cream, Fleetwood Mac, Jeff Beck e Led Zeppelin teriam suas raízes totalmente fundadas noblues elétrico de Chicago. Talvez o grupo de maior importância no recém surgido cenário blues britânico tenha sido John Mayall and the Bluesbreakers, que além de ter grande influência no crescimento do blues dentro do país, foi a banda-alçapão de músicos que viriam a se tornar importantíssimos nesse cenário musical em ascensão, como Eric Clapton[4], que posteriormente viria a formar o Cream, Peter Green que sairia do grupo para ser líder e compositor do Fleetwood Mac, e Mick Taylor, que seria requisitado como guitarrista dos Rolling Stones.

Muddy Waters

E, com o reconhecimento mundial desses músicos, os nomes clássicos do folk-blues americano comoRobert Johnson, Son House,Muddy Waters, Howlin' Wolfe B.B. King passaram a ser referências diretas. Foi noNewport Folk festival de 1963que o blues teve seu auge, com a apresentação de diversas figuras consagradas do estilo. Daí em diante praticamente todos os músicos dos mais diversos estilos provenientes do rocke blues regravaram clássicos antigos. O Led Zeppelin, em seu primeiro álbum gravou uma série de composições de Willie Dixon, porém incluindo como autoria própria, o que resultaria em uma batalha judicial, que obrigaria a banda a identificar Dixon como autor original[5].

Na América, os efeitos foram diretos, e músicos como Creedence Clearwater Revival, The Doors, Bob Dylan e Jimi Hendrixdesenvolveram seus estilos próprios fundamentados nas raízes do blues. Internamente, nomes como Albert King, Freddie King eBuddy Guy, iniciaram uma mudança na sonoridade do blues, juntando elementos típicos do rock, a guitarra distorcida e pesada, com o som tradicional, o que levaria alguns puristas a rejeitarem essa nova "moda" que contrariava o purismo tradicional da música.

[editar]O renascimento nos anos 80

Durante os anos 70, o blues, como forma predominante de influência musical, que havia influenciado o surgimento de diversas outras tendências, ia perdendo espaço cada vez mais para os elementos eletrônicos e especialmente da era disco. Até meados dos anos 80 o blues quase inexistia como estilo musical. As aparições dos músicos clássicos de Chicago eram cada vez mais esporádicas, e a própria nova moda rejeitava a sua tendência não comercial contrastante com a fase "Dancing" dos anos 80. Porém foi com o guitarrista texano Stevie Ray Vaughan, que o blues ganhou novas forças. Virtuoso e intenso ao tocar, Vaughan trouxe à tona um estilo até então adormecido, regravando clássicos e criando uma marca própria, unindo elementos típicos do blues de Chicago deAlbert King,B.B. King e Howlin' Wolf, com o virtuosismo de Jimi Hendrix. Medalhões apagados como B.B. King, Eric Clapton e outros voltavam a ser referências, e Vaughan foi o responsável por essa nova fase. Vaughan gravou quatro álbuns de estúdio, e neles estão composições que se tornaram referências ao blues e suas vertentes. Suas interpretações variavam do blues tradicional (Pride and Joy, Texas Flood), ao cool jazz (Stang's Swang, Riviera Paradise), passando por soul music (Life Without You), funk rock (Could't Stand't The Weather) e shuffle (Rude Mood). Após a sua morte prematura em 1990, o blues nunca mais teve a mesma força e influênca que teve em tempos passados, e por isso seu nome é lembrado como um verdadeiro herói na história do blues. Coincidentemente ou não, o desaparecimento gradativo do blues no cenário mundial nos anos 90,

Stevie Ray Vaughan

coincidiu com a queda de praticamente todas a vertentes musicais expressivas, que foram cedendo espaços a estilos comerciais voltados para a mídia e para o marketing, pouco preocupados com uma expressão artística e cultural, da música como forma de transmissão de idéias e emoções, o que levou a uma queda acentuada na qualidade artística das composições musicais nesse final de milênio. Porém numa proporção mais restrita, novos músicos de blues surgem no cenário musical americano como Keb' Mo' e Corey Harris, mas ainda longe de ser expressivo e significativo como outrora fora.